Achando a chave, de Álvaro Faleiros

Resenhas catálogo  |  11.09.2024

Última atualização 16.09.2026

 por Fabíola Farias

Muitas surpresas se escondem atrás de uma porta fechada, mas há sempre uma chave que se apresenta para abri-la, oferecendo-nos tudo o que ela guarda, na vida real ou na fantasia.

Em Achando a chave, de Álvaro Faleiros e Fernando Vilela, somos convidados por um menino a entrar em uma casa que parece sua, embora até mesmo para ele sugira um ar de constante novidade.  Com ele, percorremos vários de seus ambientes – sala, cozinha, banheiro, quarto –, que nos são apresentados com brincadeiras de palavras, rimas e imagens. Juntos, texto, traços e cores criam muitas possibilidades de aventura em um cenário que, à primeira vista, parece bastante comum: um sofá deixa de ser apenas um móvel para sentar se pensamos, sonoramente, que duas notas musicais – sol e fá – fazem seu nome; o tapete da sala, a mesma onde está o melódico sofá, pode sugerir um passeio pelo céu e um convite para ouvir algumas das mil e uma histórias de Sherazade... Tudo pode ser outra coisa nessa casa que aos poucos vamos conhecendo. Nem mesmo o pinguim que mora em cima da geladeira parece comum... 

A divertida narrativa de Faleiros e Vilela reinventa o cotidiano e seus objetos e cria na materialidade do livro, a cada virada de página, giros para a imaginação. Como a chave, metáfora por excelência do que pode ser aberto, visto e apreciado, o “achando” do título aponta para uma busca perene de descobertas, renovada por cada fresta que conquistamos para olhar mais adiante e por ângulos distintos dos que nos estavam autorizados.

Com chaves nas mãos, cada leitor encontrará, em momentos e leituras diferentes, muitos caminhos a percorrer. É provável que algumas se percam e reencontrá-las pode se mostrar tarefa para a vida toda, desde a infância.

 

Sobre o autor 

Álvaro Faleiros é tradutor, poeta e professor de Literatura Francesa na Universidade de São Paulo (USP). Publicou obras como Caracol de nós (2018), A flor do mal (2018) e Achando a chave (2020). Traduziu Caligramas, de Guillaume Apollinaire, e Um lance de dados, de Stéphane Mallarmé, entre outros.

Sobre o ilustrador

Fernando Vilela é artista plástico, ilustrador, escritor e professor. Recebeu o prêmio de Ilustrador Revelação da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e o Jabuti nas categorias Livro Infantil e Ilustração, entre outros. Alguns de seus trabalhos são Deu zebra no ABC (2017) e Lampião & Lancelote (2006).

Fabíola Farias é graduada em Letras, mestre e doutora em Ciência da Informação pela UFMG, com pós-doutorado em Educação pela UFOPA. Dedica-se à pesquisa e a projetos sobre leitura, formação de leitores, bibliotecas, livros para crianças e jovens e valorização da cultura da infância.

Livros relacionados

Posts relacionados

Nenhum post encontrado

Veja outras categorias